quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Um empurrãozinho cai bem.

31 de janeiro de 2019;

Último dia do primeiro mês do ano. 
Ainda tenho vinte e cinco anos, nem um a mais, exatamente vinte e cinco. 

Aqueles vinte e cinco do qual meu irmão ficou para sempre.
O mais sufocante de todos.

Não quero mais que vinte e cinco anos.

Tenho medo da ideia de passar do meu irmão - ser a irmã mais nova-velha.



Penso em como impedir isso. 

Um empurrãozinho cai bem?

sábado, 12 de janeiro de 2019

E então?

Um foi embora.
o outro logo atrás.
"Pra quê?", mas

a ansiedade vem,
descruzo, cruzo as pernas:
"E quando não houver
mais quem vá,

então sou eu quem vai?"
Corrijo a postura e largo
como quem busca
conforto, na própria pele:

"Quando, e se
se eu for - vou
será melhor ir logo?"

Prendo a respiração.
"E então? (Onde você quer que eu vá?)"


sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Recomeço.

O agora é como areia
fugindo das mãos,
escorrendo entre os dedos.
Sou o agora
e já havia escorrido há tempos.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

A minha divagação preguiçosa sobre a tua dúvida sobre mim:

São zero horas. Sim, zero horas. É correta essa afirmação, mas não dizer meia noite, quando nós escrevemos literalmente zero, dois pontos e mais zeros? Tão quanto a minha certeza quanto a minha reação ao mundo. Zero.

Portanto, não sinto nada por você.
Tal qual nunca senti nada pelo mundo.
Tal como o mundo nunca sentiu nada quando me pariu assim, defeituosa.
Em vista disso, o mundo não se importa em parir e me largar sem respostas.
Conseguentemente, é como vou lhe deixar.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Delirium

Você tem fé em quê?
O ser humano abusa do verbo acreditar de forma banal e literariamente iletrada, até obcecadamente cega. Isso se justifica quando se tem fé, por exemplo, na humanidade. Ao ponto, por exemplo, de imaginar um ser que está destinado a salvar o mundo do mal. Criar super-heróis que nutrem a ideia de destino, de salvação. Se você tem fé em, por exemplo, qualquer tipo de entidade, seja humilde, sagrada, ou endeusada, não há desculpas: você está cego racionalmente. Está cego pelo instinto. Pois ser racional é, por exemplo, matar o seu instinto e sempre, sempre questionar tudo. E de tanto questionar, por exemplo, perder a fé.
Eu perdi a fé em tudo - exemplificando.
Perdi a fé ao ponto de querer ter fé, criar fé a partir da esperança de me sentir feliz novamente. Pois a felicidade é uma carta traiçoeira. Anda como uma bela moça, que caminha formosa, quase angelical - uma vez se esbarra por ela, noutrora se torna inesquecível, mesmo que de relance. Seu cheiro, seu jeito, dá nostalgia. Nunca se deixa de sonhar com a bela carta da felicidade. Mas é como uma droga. Uma vez que ela some, deixa em você seu mais puro nectar: vicia-te eternamente. Faz-te achar vertigens em todas as esquinas. Encontra-se com todas as moças, trocas moças aos montes, e tentas compara-las a ela. Nunca te torna satisfeito, mas iluso.

Ilusão é o relevo que não lhe mostra quando contornar, mas sempre tropeçar e afundar, até enterrar-se em delírio.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Ranne Coast

Como é conseguir viver no presente? 
Essa é a pergunta que eu mais odiava, e a única que eu sabia a resposta. 

Eu sempre vivi alternando entre duas estradas: idealizando o futuro que fariam as pessoas que, me importam saber que se importam, terem orgulho (ou inveja, numa forma de vingança) de mim; crescendo através das lembranças mais densas do meu passado para me massacrar e me forçar a ser algo mais útil, e satisfazer o primeiro caminho. "O presente? Consequência." 
Só que perdi tempo usando o passado para idealizar um futuro. Um futuro que depende do meu presente. E um presente que acrescenta no meu passado. Abusei do meu passado de forma liquificante, sempre atormentador, como uma sombra que me assombra. E pari outras sombras, clonei. E o futuro se torna outro passado ao ponto que não modulo meu presente. 

A preguiça é o vírus que se instala para se transformar em uma doença cômoda. Pois sair da sua zona de conforto é privilégio de poucos, e o sonho de todos.