segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Auto-avaliação nor(dés)tiada.

¿ Quase tudo o que penso, sinto o oposto.


Com a disposição plantada, sentes por todos os canais. Os imaginários leva aos sentidos dos olhos e dos teus ouvidos, para escutar as batidas dos teus sentimentos. Agora escuto meus sentimentos em um ritmo arrumado, bonito de se olhar.

Olho minha vida passar com os passos de alguém que anda incerto com a vida, com medo do tropeço, torcendo por uma chance de escorregar para o novo olhar - olhar a cidade de outros ângulos: meu triunfo. Vivo cigana, andante, formosa em desafios, lascada de sol, mas desconfiada dos fins derradeiros.

O fim mutável, mas sempre finito.

Busco lascar-me até afinar, pelo caminho sem sombras, sem marquise. Sou pedestre incerto, andando pelas calçadas da vida. Sou homo sapiens em (r)evolução. Sou paixão da vida, da dificuldade, da tragédia, da alegria. Sou Maria sem João, Maria João. 

Sou pura conexão,
mas sinto o oposto.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Autoaversão suicida

Venho por aqui me vomitar, intragável, intolerável à mim mesma.
Para tentar entender, ou fazer entender alguma coisa.
Para aprender a explicar alguma coisa...

ou só abafar mais um pedido de socorro.

Desse mês não passo.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Desprolongar, deseixtir, desfazer, descarol.

Quase tudo o que digo, desejo o oposto.
Mas desejo não me arrepender, sabendo, não querer me prolongar - Desistir, numa descontrução da palavra: deixar de existir. Quase tudo o que eu faço, penso na obrigação. Penso no que não seria obrigação. Penso no não-fazer, e me iludo. Para depois me atormentar com tudo.

Mas nada do que faço é para mim, mas para os outros. Nada é por mim.

Há muito tempo já não vivo mais por mim.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

"Amiga, ele está com outra."

O cúmulo de acreditar piamente na falsa acusação de uma amiga é desenvolvê-la para todos os lados.

O cúmulo é quando se está tão apaixonado que não se tem percepção. É cadeia de incertezas, falsas indagações. É não saber se o ovo é ovo por culpa da galinha ou foi por culpa do ovo que nasceu a tal galinha. É como não saber mais de si mesma - sumir com as definições e só apresentar suposições. Você deixa de se conhecer para entrar no desespero intenso de tentar despistar seu medo – tudo torna-se neblina.
O maior medo é a dor do abandono de quando já se sentiu, e não quando a conhece.


O medo é da dor do abandono. 

E a única saída que clareia é a mais fácil - abandonar.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Provenientes de mim e Lispector



Aguardar nunca me foi dom dado. Aguardar não somente o tempo mas tudo dentro de seus signos. Um ano pode se tornar tão quanto oito segundos através da emoção de seus intervalos, somos fruto da árvore de intervalos de nosso tempo e tudo o que fazemos é nos colecionar.
Enquanto estive ali por colecionar segundos andei balbuciando possibilidades de mais e crucifiquei-o por todas as batidas do ponteiro. Como ousa deixar-me aguardar bem logo quando lhe disse para não o fazer. Esquematizo sempre os meus compromissos para não passar por delongas, economizo até em palavras por isso – lacônica. Mas então ele utiliza da ousadia como se não fosse completamente familiarizado a mim. Penso em segundo plano, pois nunca penso que o primeiro irá me desapontar e o ponho em pratica sem hesitar. Nunca planejo o depois então sempre o deixo para cima da hora, com a pele aos nervos. Balaço os dedos como se fizessem ondas no ar, e utilizo da dispersão em prol da construção de juízo. Os ombros continuam firmes, sempre o foram, nunca os deixei que massageassem, mas naquele momento mais que o natural.

“Onde ele está?

Será que desistiu?

Estou somente criando expectativas?

Estou iludida?” Paro para recapitular, ele não disse a mim certezas, mas só jogou expectativa. Brincou com a minha expectativa. Então como num sonho recapitulo "Devo aparecer por volta das oito, se a greve de transportes se cessar. Se não, um amigo deve ceder o lugar em seu carro, pois me disse ir para esse lado.."
O verbo dever possui uma conotação extremamente desanimadora, uma vez que utilizada em todas as suas variações: Dever favores, dever riquezas ou dizer que deve paga-las assim que possível, pois seus próprios devedores devem paga-lo. Pensar que ele deve chegar pois seu amigo deve dar-lhe carona ou seu ônibus deve colher lhe é a minha maior tortura, não existir previsão de tempo para nada. Começo a me soltar, começo a soltar a cabeça e todas as esperanças e me agarro a realidade mais crua: Ele não vem. Começo a andar para o banheiro e me olho no espelho. Percebo todo o esforço para essa realização de combinações, e o quanto pareço pronta. Me analiso em mais cinco minutos e concluo: “Devo sair só?

Devo sair só.” Imponho uma conotação completa e extremamente positiva à palavra, fazendo-a parte de minha força e iniciativa. Desativo as energias e tranco o apartamento, agarro as rédeas da vida e vou de encontro à possibilidades e, quando encontro-me realizada com todas as novas expectativas, quando obtenho controle pleno do meu tempo, quando me encontro mentalmente estabilizada é quando o maldito chega.

Nada torna-nos carne além do ciclo do sangue.

O que é conforto? Uma das palavras mais relativas do mundo, talvez. Pois não posso dizer que exista ou não alguma que seja ou não - relativo. Como achar que sente falta de conforto mas, com tempo, a ideia primária de conforto se perde no mundo das lembranças. Depois da descomodidade tu muda teus valores, e valoriza o pouco conforto que não teria valorizado se não tivesse tido tanto desconforto. Tanto desconforto, se torna tua bênção e parte da tua nova alma. Por que renovamos a cada quebra, racho, tombo. Renovamos em alma e em força. Em carne e em mente. Em mente e em alma. Permitimo-nos a dar mais voltas no ciclo quando há o entendimento, porque nada somos sem ponderar. E nada, nada torna-nos carne além do ciclo do sangue.



Dissimulada, um milhão de vezes.

Quer mesmo me escutar? Sou egoísta - ou pior - covarde por não estar respondendo ao teu alcance. Por que és muito mais distante que meu dizer: és puro. Como imã, só de pensar em dizer todas as palavras sujas que vem a minha cabeça a partir dessas tuas perguntas, elas se contorcem e se socam dentro de mim e sufocam tudo como bem querem. Elas estão ali, mas nunca pude contra elas. Desculpa por não poder dizer que consigo ser franca, sou covarde. Desculpa por não tentar conseguir ser franca, sou egoísta, e dissimulada. Dissimulada por querer plantar em tu a paz e não te passar segurança. Querer ser tua segurança e não te passar franqueza. Querer te passar mas não querer passar nada para tu - dissimulada.



Saudade desmerecida em seu propósito.

Um pedido sempre acontece na falta de um certo instante - sentir falta de alguém é como sentir-se em outro sistema, onde seus sentidos se aguçam para encontrar-se mais próximo da realidade. Um pedido de realidade é como um berro para a alma, e um suspiro para a mente, e um tremor no coração. Ou é isso pelo meu achismo, e somente presumido. Por lógica, já que não dito o real, mas só o imaginado lógico.

A saudade reafirmou-se, mostrou a sua presença através da obra de uma imaginação caprichosa - uma realidade que não poderá haver - para terminar em lástima.



Anticaos.

Como posso não conseguir dizer nada que quero, mas só abordar o que tenho? De realismo estou cheia, ensine-me agora a inventar coisas mais leves, mais absurdas. Desprender meus dedos da dor, desmembrar o ardor de lembrar do rancor de viver injustiçada por quem me faltou. Brincar de quebra-cabeça sem ligar para as peças perdidas, prender-me ao durante, a participação de um desafio de incertezas, encaixando-as pouco a pouco e, por surpresa: ter de camarote a vista simples da vida. De obscuridade já chega, estou liquificada de imediatos. Quero brincar de riscos sem medos. Quero esquecer do tempo, do vento, do mar e do cais. Quero brincar de paz.

Assim eu vivo...

Assim que vivo. Tiro de troncos arbustos mais desgastados e limitados de duração para tirar-lhes sua última lasca fresca e senti-la desgrudar dificultosa, teimosa. Descrever sua sensação é a melhor prova em seu sumo, ter sua prova em relato. Em sua existência: seu melhor instante. Poder sentir que fora de grandeza inestimável sua carência de valor: não possuir valor suficiente para crescer e sim, justamente sumir. Vale a pena? Talvez. Do jeito que concretizo, que torno - que vivo.

"O subjetivismo

se afirma em base de" - "este existe por fato conseguinte da" - Bom, respondo eu para toda extensa ladainha: é tu. Sou, eu. Somos-o em si.
Mas não é aí a minha intenção. Por tal fato nasce tamanha crueldade? O maior medo: parar de querer raciocinar ou compreender. A desistência d'um desânimo. Reconhecimentos teóricos que levam a tantas certezas ilógicas, o perigo maior: descobrir o que não é.
É cruel, e ponto. O quê? Tudo de tudo, e o nada também. Tudo que existe e que nem o existir se joga ao menos no risco, ou o que não se interessa. Tudo o que provém d'um senhor do nada (e do medo) incluido em exatamente tudo. E ainda depois de tudo ainda existem questões sobre a falha de senso. Não me diga o que acha sobre minha loucura se não entende.

Diga algo da coisa alguma, e não nada sobre tudo que não importa nem ao tu ou a mim. (COVARDES, bando de.)

Desatender.


Mãe, vou brincar no parque!

Brinque, mas cuidado com os baques.



Mas mãe, qual a graça?

Vá com ela, mas sem levar essa corda.



Mas agora não tem raiz lá no chão..

Hã, o João? Leve-o, já conheço a sua mãe.



Mãe!

Pensando melhor, vai chover...



Esquece, já perdi a vontade.

(...)

Crianças...
vão nos entender melhor quando crescer.

Fogo finado.

Sufocada, tragada, estrangulada (confusão, confusão, confusão). Mas algo ainda respira e não consigo identificar. Mal consigo me identificar a tempos (imagino agora). Muito mais: quero entender tudo (inclusive a velhice). Dor na garganta por lembrar que sempre e tanto berrei pela morte. Enjoo pelas verdades erradas ou por outras poucas e injustas. O correto é nem sempre injusto, mas pra mim é mais que o tempo inteiro. O tempo é injusto. Injustos, para eles devia ter berrado e então nunca ter essa dor. Ignorar e tragar; controle. Corrompo os motivos e reconstruo tudo do começo. Ignoro o nojo e a angústia que me dá ter tanto vigor com o que ainda resta do antigo (não estava completamente errada). Maldição! Amadureci, mas ele envelheceu. Corrompe-me as idéias e me dá vigor. Dá-me também nojo e angústia. Toda a ilusão é melhor aproveitada enquanto mantida (devia lembrar sempre). Não morra (autorização suspensa): tanto agora, quanto logo ou então de supetão. Odeio relances quando se resultam em surpresa. Odeio surpresas a partir de agora. Odeio surpresas a partir de sempre (morra, surpresa). E irei cobrar pela minha segunda chance, minha visada oportunidade. Meu tão ansiado suspiro de paz (ainda duvidando da existência). Duvido muito de tudo que tenha a capacidade de duvidar do que existe(a) em completamente tudo. Uma palavra pode permanecer sem a existência de um sinônimo, mas com o desconhecimento do seu antônimo não existe mais significado.

Combatendo a inércia.


F-

força.
Pronto, impus à folha em branco minha vontade criativa.
Divertir-me modelando as linhas enquanto as camuflo - dôo significado, pois significados só me doam repetições; e remodelo-os, e reinvento-os, e recoloco-os para impor novos plurais. Não gosto de plurais, são sempre pertinentes a ignorânça. Prefiro falso único, onde o nada é sempre um, mas nunca preeminente. Prefiro repetir, e repetir, e repetir, e repetir diversas vezes o mesmo para emitir tudo! E que meu rascunho nunca se divida, mas sempre permaneça único e em mesmo nível, como o nada e a ignorânça de Barros. Como a incoerência teimosa que remete sempre a mim.

Conclusão de última linha: até a folha virgem é de utilidade poética.

O olhar do mundo sob ideias, de ideias, ao olhar do mundo para o mundo.

               Histórias sempre soam perfeitas antes de se alterar para se adequar ao papel: obtém-se palavras perfeitas em todo o seu contorno.
               Como se inicia uma estória? É a pergunta de um milhão de euros, não reais, porque reais já não remetem mais a coisa boa, coisa rara. É a pergunta que faço enquanto penso sobre o meu eu escritora perdido no tempo corrido dos compromissos. Não encontro o meu padrão. Não encontro padrão porque já se perdeu de mim uma vez que fujo de todos os clichês. Como inocente, sempre fugi do que os outros fazem para tentar ser a mais impar de todas as peças que existem no dominó - não conseguir ser encaixada a nenhuma delas. Como adulta, há o apelo intenso de se encaixar de forma unânime e completa ao jogo uma vez que, ao ganhar, ganha-se ao todo. Divago e logo volto: como se inicia uma estória? Ando pelo apartamento observando a fumaça do cigarro que traguei há dois segundos, é a forma de enxergar o fumo enquanto primeira pessoa. É a forma de desligar a mente para algo maior, a construção de uma ideia. Lanço três livros sobre a cama e começo a ler todos os inícios: o livro de contos de Veríssimo, o livro de história da feirinha do nordeste e outro de contos românticos que furtei, pois fala da vida de pessoas incomuns. Primeira tentativa, um local, o meu apartamento. Segunda, o sentimento. Terceira, o lado cru do ato: escrever. A fusão dos três elementos que encontrei instantaneamente – crio o meu começo.

                Agora, como se desenrola todo o resto? Normalmente, é sobre o subjetivismo do mais observado. Quero fugir do meu subjetivismo explícito, mas não consigo, sou-o puro, exalo o eu com toda a honra e toda a glória. Amo-me e sem vergonha: amo-me. Agora me perco para me encontrar.
                Como um amor se constrói, no meio de tantas imagens distorcidas? Uma vez que fumo não amo, me mato. Deixo cair a minha pressão e enjoo, e volto a deprimir. Volto a pensar nos mal feitos, desfeitos, deixados e defeitos – nunca, nunca termino o que começo.
                Sou incoerente.
                Sou eu, mas não quero ser, quero ser ímpar e ser tudo ao mesmo tempo.
                Quero escrever, mas não quero escrever. Quero mas não quero mais viver. Quero desistir, mas não quero desistir das admirações que existem sobre mim, as esperanças e superestimações. Me agarro a superestimações como se houvesse em parte oxigênio.
                Olho à minha volta, há bagunça. Há a primeira faísca da iniciativa de organização, mas se apaga. Para quê? Para quê vou me levantar agora, se posso me levantar daqui a alguns minutos. Qual a finalidade de me levantar? Finalidades, pra quê finalidades, afinal? Afinal, sempre me perco. Entro em uma cadeia de pensamentos autodestrutivos e esqueço que antes de sentar e escrever houve esperança. Largo a força das mãos. Subitamente há a dependência em placebos para dar vontade de beber e me alimentar de vida.
                O que é o ser sem a fé? Eu sou completamente miserável quando reconheço a inexistência da fé na minha concepção de vida. Há a crença em teorias, em imaginários, em esperança. Há toda a crença do mundo quando se tem esperança, mas quando não se tem a fé tudo se perde no mundo do it – empurra-se o mundo com a barriga.


                Para tentar concluir algo infinito escancaro a realidade sobre o mundo, ao mundo: a ideia de escrever livro é inteiramente romântica. Eternizar as palavras é fabuloso, provém de fábulas, coisa criada para sentimento de esperança – provém do que você tem à priori como felicidade aos olhos que o mundo lhe dá.