sexta-feira, 3 de julho de 2015

Delirium

Você tem fé em quê?
O ser humano abusa do verbo acreditar de forma banal e literariamente iletrada, até obcecadamente cega. Isso se justifica quando se tem fé, por exemplo, na humanidade. Ao ponto, por exemplo, de imaginar um ser que está destinado a salvar o mundo do mal. Criar super-heróis que nutrem a ideia de destino, de salvação. Se você tem fé em, por exemplo, qualquer tipo de entidade, seja humilde, sagrada, ou endeusada, não há desculpas: você está cego racionalmente. Está cego pelo instinto. Pois ser racional é, por exemplo, matar o seu instinto e sempre, sempre questionar tudo. E de tanto questionar, por exemplo, perder a fé.
Eu perdi a fé em tudo - exemplificando.
Perdi a fé ao ponto de querer ter fé, criar fé a partir da esperança de me sentir feliz novamente. Pois a felicidade é uma carta traiçoeira. Anda como uma bela moça, que caminha formosa, quase angelical - uma vez se esbarra por ela, noutrora se torna inesquecível, mesmo que de relance. Seu cheiro, seu jeito, dá nostalgia. Nunca se deixa de sonhar com a bela carta da felicidade. Mas é como uma droga. Uma vez que ela some, deixa em você seu mais puro nectar: vicia-te eternamente. Faz-te achar vertigens em todas as esquinas. Encontra-se com todas as moças, trocas moças aos montes, e tentas compara-las a ela. Nunca te torna satisfeito, mas iluso.

Ilusão é o relevo que não lhe mostra quando contornar, mas sempre tropeçar e afundar, até enterrar-se em delírio.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Ranne Coast

Como é conseguir viver no presente? 
Essa é a pergunta que eu mais odiava, e a única que eu sabia a resposta. 

Eu sempre vivi alternando entre duas estradas: idealizando o futuro que fariam as pessoas que, me importam saber que se importam, terem orgulho (ou inveja, numa forma de vingança) de mim; crescendo através das lembranças mais densas do meu passado para me massacrar e me forçar a ser algo mais útil, e satisfazer o primeiro caminho. "O presente? Consequência." 
Só que perdi tempo usando o passado para idealizar um futuro. Um futuro que depende do meu presente. E um presente que acrescenta no meu passado. Abusei do meu passado de forma liquificante, sempre atormentador, como uma sombra que me assombra. E pari outras sombras, clonei. E o futuro se torna outro passado ao ponto que não modulo meu presente. 

A preguiça é o vírus que se instala para se transformar em uma doença cômoda. Pois sair da sua zona de conforto é privilégio de poucos, e o sonho de todos.

sábado, 7 de março de 2015

Futuro?

Pessoas dentro de árvores-pessoas

Circuito sem chão.

Como será se todas as saídas no fim se encontrarem, como se tudo estivesse conectado ao mesmo resultado: o não efetivo.
Quando pensa-se em fugir, mas sem deixar algo para trás. E como não deixar para trás? Como se livrar? Pensa-se egoista: matar o item. Renascer. Volta a racionalizar o possível é o mais efetivo.

E então: a morte.
Mas o mesmo fim que deixa algo para trás.
Não uma vida, mas duas.

I'm sorry, mom.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Irracional.

O fardo da palavra das pessoas em cima das tuas, como numa intertextualidade com segundas, terceiras e outras intenções - cheias delas.

Estou cheia delas.

Não estou cheia das pessoas, estou cheia de não saber do que estou cheia. Como uma explosão de sentimentos que fazem um animal latir, rosnar, entrar em berros misturados por não raciocinar mas somente sentir, intensamente. Odeio esse sentimento, quero extrai-lo de mim! Racionar-me inteira.